Cansado e com saudade da família que não vi por causa da correria recente, resolvi não aparecer e nem dar as cartas. Eu sei que é réveillon e que uma semana atrás foi Natal. Não gosto de dias especiais que o calendário julga, e sim daqueles inesperados, surpresa, pequenos imprevistos dando certo. Há sempre a pequena chance do impossível rolar. Entre um feriado e uma tarde gostosa, prefiro a segunda. Aí sim. E não precisa de uma multidão de branco que acha que areia rima com sujeira.
É, só que agora to com saudade de todos os meus amigos.
Sem falar da Ju. Santo Deus, que saudade.
sábado, 2 de janeiro de 2010
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Yvy marã e'y
"Acho que é direito deles [índios] ter as coisas que a gente tem... eles não pode se isolar assim, ficar longe de supermercado, assim sem conforto... não pode."
Como não? Quem me dera ao menos uma vez ter o conforto que os índios têm sem precisar sofrer as cobranças do nosso mundo... Foi com essa cara indiferente e por dentro indignado que eu, mais uma vez, não levei a sério um comentário. Num momento infeliz, um senhor e também aluno de Tupi resolveu dizer isso dentro do templo guarani da aldeia que visitávamos. Sim, visitei uma aldeia guarani!
Estudo Tupi antigo desde o começo de 2008. Parei por um ano por causa das férias do professor e por outros interesses. Voltei no semestre que acaba de acabar; é uma das poucas coisas que sento pra estudar pra me divirtir. Nunca foi fardo pra mim.
A ideia era ir para Peruíbe (Iperó'y-pe), mas acabamos indo para Parelheiros, extremo sul da zona sul da capital. Só mato, e mais de duas horas e meia pra chegar, depois de muita estrada de terra, sem contar o trecho a pé. Acompanhados pelo Navarro, nosso professor, conhecemos um pouco daquele povo humilde e aculturado.
Não cultuo o que pessoas "normais" chamam de atrasado. O fato é que a galera de tanguinha nunca pensou que progresso fosse necessário. O que chamamos de desordem é uma ordem que lhes convém.
A aldeia não é bonita e é qualquer coisa entre a civilização (não civilizada) e a barbárie (muitas vezes avançada). Por isso, não consegui ter a comunidade Krukutu como exemplo contrário ao mundo de congestionamentos e rio fedido. Até porque lá havia pias, concreto, tijolos, telas de amianto em cima de construção de pau-a-pique, escola com livro didático e alfabetização em português e guarani. E eles têm um templo! Já se percebia uma mistura, claro, com cultura europeia. E no altar tinha barco e crucifixo, juntos... Porém, talvez os guaranis não estivessem vivos sem a Companhia de Jesus.
Isso tudo existe ao passo que também não acredito que se precise sumir no mato pra afirmar sua existência. Nem usar o dobro de penas na cabeça. Quanto mais se procura, mais se acha carnaval e menos antropologia.
Afinal, o que é ser índio? É a nudez, é o sangue, é o língua que não tem limite no Google Earth? Pois é... como diz um poema que li hoje, há muito mais cinza em meio ao preto e branco. E eu passei no vestibular da Unicamp pelo sistema de cotas para minorias raciais. Um falso índio num país americano em que ser índio é minoria. Engraçado.
Como seria se eu entrasse em contato com um povo supostamente superior que tem uma maneira fácil e barata de não consumir água, combustível ou, melhor ainda, escovar os dentes? Essa é a hora em que eu esqueceria a tradição.
Descanso. Querem descansar. Dizem que precisam de trabalho. Ah, mas trabalhar pra quê? Pra ter dinheiro. Pra quê? Pra comprar coisas. Pra quê? Pra não precisar cozinhar, costurar. Pra quê? Pra ter tempo livre. Pra quê? Pra descansar. Aposentadoria? Pra descansar. Descanso.
Olha, quase que esse meu surto me convenceu. Porém, dois dias depois comecei a trabalhar.
Como não? Quem me dera ao menos uma vez ter o conforto que os índios têm sem precisar sofrer as cobranças do nosso mundo... Foi com essa cara indiferente e por dentro indignado que eu, mais uma vez, não levei a sério um comentário. Num momento infeliz, um senhor e também aluno de Tupi resolveu dizer isso dentro do templo guarani da aldeia que visitávamos. Sim, visitei uma aldeia guarani!
Estudo Tupi antigo desde o começo de 2008. Parei por um ano por causa das férias do professor e por outros interesses. Voltei no semestre que acaba de acabar; é uma das poucas coisas que sento pra estudar pra me divirtir. Nunca foi fardo pra mim.
A ideia era ir para Peruíbe (Iperó'y-pe), mas acabamos indo para Parelheiros, extremo sul da zona sul da capital. Só mato, e mais de duas horas e meia pra chegar, depois de muita estrada de terra, sem contar o trecho a pé. Acompanhados pelo Navarro, nosso professor, conhecemos um pouco daquele povo humilde e aculturado.
Não cultuo o que pessoas "normais" chamam de atrasado. O fato é que a galera de tanguinha nunca pensou que progresso fosse necessário. O que chamamos de desordem é uma ordem que lhes convém.
A aldeia não é bonita e é qualquer coisa entre a civilização (não civilizada) e a barbárie (muitas vezes avançada). Por isso, não consegui ter a comunidade Krukutu como exemplo contrário ao mundo de congestionamentos e rio fedido. Até porque lá havia pias, concreto, tijolos, telas de amianto em cima de construção de pau-a-pique, escola com livro didático e alfabetização em português e guarani. E eles têm um templo! Já se percebia uma mistura, claro, com cultura europeia. E no altar tinha barco e crucifixo, juntos... Porém, talvez os guaranis não estivessem vivos sem a Companhia de Jesus.
Isso tudo existe ao passo que também não acredito que se precise sumir no mato pra afirmar sua existência. Nem usar o dobro de penas na cabeça. Quanto mais se procura, mais se acha carnaval e menos antropologia.
Afinal, o que é ser índio? É a nudez, é o sangue, é o língua que não tem limite no Google Earth? Pois é... como diz um poema que li hoje, há muito mais cinza em meio ao preto e branco. E eu passei no vestibular da Unicamp pelo sistema de cotas para minorias raciais. Um falso índio num país americano em que ser índio é minoria. Engraçado.
Como seria se eu entrasse em contato com um povo supostamente superior que tem uma maneira fácil e barata de não consumir água, combustível ou, melhor ainda, escovar os dentes? Essa é a hora em que eu esqueceria a tradição.
Descanso. Querem descansar. Dizem que precisam de trabalho. Ah, mas trabalhar pra quê? Pra ter dinheiro. Pra quê? Pra comprar coisas. Pra quê? Pra não precisar cozinhar, costurar. Pra quê? Pra ter tempo livre. Pra quê? Pra descansar. Aposentadoria? Pra descansar. Descanso.
Olha, quase que esse meu surto me convenceu. Porém, dois dias depois comecei a trabalhar.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Enricrescer
Tinha aparecido do nada. Estava começando as férias, dois dias depois da minha última prova do ano, depois de ter me formado em Línguística - ainda faltam Português e a Licenciatura, ou seja, um ano. Bem rápido. Num dia, as oportunidades sem maçanetas. No outro, a possibilidade de um emprego. Entrevista, admissão. Apesar de eu ter fugido disso depois de ensaiar os primeiros passos como jornalista ao prestar vestibular, hoje tenho um emprego na área de comunicação.
Pois é, súbito assim. Mais do que um salário, acredito que meu maior lucro vai ser trabalhar em algo que não esteja dentro do cercadinho do previsível. Os bicos de monitor infantil e animador de festa existiram em razão de uns trocados. E vocalista de banda continua sendo um dos meus planos B, ainda que eu queira mais ser músico de um instrumento "externo". Não tenho um plano A, pois pressupõe que todos os outros planos estejam um degrau abaixo na hierarquia de sonhos. O peso da idade e da responsabilidade em cima desta são, ainda por cima, o agravante de alguma providência. Que bom que seja nesse sentido, em algo que me enriqueça como Thiago e não como pessoa jurídica, como número e dados. Passou o tempo do "não há culpa em não se ocupar" ao pé da letra.
A reação pareceu tácita, mas a farra foi grande aqui dentro. Por incrível que pareça, oito horas por dia completam a alforria do ócio que me mantinha numa estaca zero qualquer. E ainda tenho banco de horas! Vou estar bem ocupado na semana, o que fecha o ciclo desse ano de fim de graduação. Já estava com gostinho de quero-menos. Não estou com saco pra leituras obrigatórias que me guiem rumo ao básico daquilo que não quero. Por isso, procuro sempre o que me dá na telha. Daí o tupi, antropologia, hebraico, história da música, indústria fonográfica e literatura de mercado.
Sei que vou tomar muito na cabeça por causa dessa minha cisma em variar e experimentar sempre. É a hora e vez de Augustinho. É essa insistência, ou melhor dizendo, é essa esperânsia que me mantém firme. Do contrário, eu seria alguém que procuraria um curso que me desse um emprego futuro muito bem pago e não uma faculdade com estudos bons e, melhor ainda, no presente. Ego, hic et nunc.
Pois é, súbito assim. Mais do que um salário, acredito que meu maior lucro vai ser trabalhar em algo que não esteja dentro do cercadinho do previsível. Os bicos de monitor infantil e animador de festa existiram em razão de uns trocados. E vocalista de banda continua sendo um dos meus planos B, ainda que eu queira mais ser músico de um instrumento "externo". Não tenho um plano A, pois pressupõe que todos os outros planos estejam um degrau abaixo na hierarquia de sonhos. O peso da idade e da responsabilidade em cima desta são, ainda por cima, o agravante de alguma providência. Que bom que seja nesse sentido, em algo que me enriqueça como Thiago e não como pessoa jurídica, como número e dados. Passou o tempo do "não há culpa em não se ocupar" ao pé da letra.
A reação pareceu tácita, mas a farra foi grande aqui dentro. Por incrível que pareça, oito horas por dia completam a alforria do ócio que me mantinha numa estaca zero qualquer. E ainda tenho banco de horas! Vou estar bem ocupado na semana, o que fecha o ciclo desse ano de fim de graduação. Já estava com gostinho de quero-menos. Não estou com saco pra leituras obrigatórias que me guiem rumo ao básico daquilo que não quero. Por isso, procuro sempre o que me dá na telha. Daí o tupi, antropologia, hebraico, história da música, indústria fonográfica e literatura de mercado.
Sei que vou tomar muito na cabeça por causa dessa minha cisma em variar e experimentar sempre. É a hora e vez de Augustinho. É essa insistência, ou melhor dizendo, é essa esperânsia que me mantém firme. Do contrário, eu seria alguém que procuraria um curso que me desse um emprego futuro muito bem pago e não uma faculdade com estudos bons e, melhor ainda, no presente. Ego, hic et nunc.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Zíper

, passeata, parada, procissão,
greve, expediente,
rave, sinfônica,
tarde de autógrafos, execução de reféns,
inauguração, evento, falência,
sala de espera, maratona,
aperto de mãos, decisão,
abraço, chave de braço,
ponta-pé, dor de cotovelo,
quebra-cabeça, marcha ré,
imbecil, por gentileza,
piada, lágrima,
pânico, gargalhada,
doutores da alegria,
gangue do palhaço,
lanchonete, pão e circo,
assembleia, rebelião,
enterro, noivado,
meus pêsames, parabéns,
chabu, shabat,
famiglia, quadrilha,
dekasseguis, retirantes,
coiffeur, necrotério,
senzala, saguão de hotel,
carro abre-alas, ambulância, safety car,
trio elétrico, cortejo fúnebre,
jejum, fast food, marmita, a la carte,
contrato, papel higiênico, guardanapo,
sebo, brechó, bolsa de valores,
esmola, superávit,
banco central, caixinha de doações,
camisa de força,
campanha do agasalho,
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Ensino: distância com a linguagem acadêmica

A efemeridade do final do século XX se evidencia fortemente pela consciência acerca de si, curiosamente em partes adquirida pela fácil obsolescência das inovações de um ontem recente. Este mundo – onde o novo se basta como argumento – se manifesta com tanta força que ele consegue ainda ser mantido, mesmo que o novo seja reinventado de hora em hora pelos homens. As gradações do que chamamos “apego” passaram não a ser questionadas, mas sim alteradas de prontidão, lançando mão desse paradigma de aparente e relativa cicatrização das mudanças.
Embora pareça ser de domínio tecnológico, esse novo paradigma barra o campo das relações humanas e emperra o fluxo da educação. Observa-se que, no campo comportamental, a ausência de “bom dia” é favorecida pelos fones de ouvido dos que disputam espaços de pé no ônibus. O isolamento literal das pessoas é a verdadeira eliminação do convívio diário de contrastes ideológicos em sua expressão mais rudimentar: a fala.
Por mais que o número de pessoas cresça, sua variedade estagna-se ou diminui quando se pensa sob o prisma da ausência de política e na presença de panfletos. Algumas facilidades tornam a multidão visivelmente pluralizada quanto às roupas; porém, no bojo da questão, vê-se que o modo de caminhar denuncia o quanto os indivíduos são sozinhos frente à tolerância ideológica de grupos distintos dos seus. A polidez, para uns, é sinônimo de etiqueta, prepotência, modos abastados; e a polícia muitas vezes é vista como corrupção e violência. Sendo verdadeiras ou não, essas impressões, unicamente captadas pela observação (esta abstraída de questionamentos), esvaziaram o sentido cunhado na origem desses vocábulos e suas funções de manutenção da polis. Os preconceitos contam com o respaldo de seus feudos ideológicos e se defendem nesses cercados fomentados pela inovação.
Se antes se lançava mão de um ensino elitista ou vorazmente contrário ao laico, hoje tais valores são ignorados pelos alunos e se rivalizam em suas carteiras estojos e celulares. A dinâmica do exterior da sala de aula é outra a ponto de o dispêndio de forças, ao estar sentado frente ao quadro-negro, reconstrua os pensamentos dos professores sobre as medidas a serem tomadas para conquistar a atenção dos alunos e convencimento da relevância do conteúdo lecionado na vida de cada um deles. É enorme o contraste entre o aprendizado e a apreensão de curiosidades de entretenimento instantâneo. O ritmo exigido do aluno para compreensão de métodos práticos, conteúdos ou conceitos pede a demora de uma digestão e não somente o ato de engolir. Contudo, barra-se na intenção do poder - em ter como finalidade o que há de mais prático.
Entre os desafios, depois de vãs tentativas de eliminação da hierarquia entre alunos e professores com base na sublimação do lúdico; depois, inclusive, da traiçoeira impressão de esperança por parte dos adultos em um mundo novo edificado pelos recém-chegados, tem-se ainda a adesão aos valores de inclusão da criança ao mundo “deserto”. Na vida cotidiana, as supostas ferramentas tecnológicas, já saturadas em sua função, há muito deixaram de ser meios para serem objetos finais. Aos poucos se implantam esses recursos na sala de aula e esta não se encontra como alguém que necessita de um transplante, mas sim como um hospedeiro. Não se trata de um ensino sendo debilitado somente na área das humanidades. Um professor de física ou de literatura precisa lançar mão de informações comuns de um profissional de sua área, embora, para lecionar, isso não baste. A experiência da interação entre alunos em um ambiente comum por horas a fio é algo que a tecnologia não pode proporcionar por webcams e conexão a cabo.
Este mundo, que teoricamente se constrói pela aparente pluralidade de pensamentos - no ponto de vista mais quantitativo que se possa dizer –, dissemina uma sincronia de impressões e anula o que poderia haver de verdadeiramente plural. A educação, em meio a isso, sofre influências do mundo ao passo que se confronta com sucessivos fracassos de novas tendências pedagógicas.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
As sugar and spice
"(...) um sorriso amigo que transbordou a cor da tela pra cima do que desbotou; as letras da página perderam parágrafo pra se segurarem juntas e não voarem, e serem lidas sem pausa pra fôlegos; e ainda por cima embaçou minhas lentes, e toda nitidez que tive saiu pra passear sem aviso."
Na noite desse dia, há um mês, comecei uma música nova quebrando a paleta de cores. Tudo diferente, é verdade. Atentei para os arranjos, aproveitei toda nitidez de antes, passei aguarrás na escala do violão; a Ju me ajudou muito com a tela e as cores e violei aquela moldura nova de madeira que preguei com argumentos pra mim mesmo.
Eu teria motivos pra interpretar esse dia como véspera de outra data, mas felizmente os tempos ventam em outro sentido. As pessoas têm seus papéis por um tempo determinado. Se esse tempo quer dizer pra sempre, que bom!
O que importa, acima de tudo, é que estamos (e estou) muito bem... E faz muito tempo que eu não me sinto assim. E isso se agrava ainda mais quando se pensa na bad trip pela qual eu passei. La tiniebla se dissipou faz tempo. De nada adianta clareza se for monocromática.
Isso tudo foi ao mesmo tempo em que tive aquela epifania que aos poucos tá me reconstruindo como um outro amigo, irmão, filho e namorado.
Continuo o mesmo desligado de sempre, mas não displicente. Talvez esteja mais desligado, por estar apaixonado... Desligado até mesmo dentro do que sinto. Todo bobo.
domingo, 15 de novembro de 2009
Choro cauterizado
Fico muito triste quando vejo alguém passando por problemas, sofrendo somente suas próprias lágrimas, sem reflexão sobre sua dor - e, consequentemente, sem aprendizado posterior.
Sei que, apesar de refletir sempre sobre a minha dor, não tenho tido bom proveito disso, e muitas vezes me revoltei contra alguns dos meus mais sólidos ideais... Parece um autoflagelo moral, que em seguida chega a uma anestesia dessa humilhação que tanto tinha a me ensinar e me salvar.
No meio disso tudo, felizmente acontecem coisas simples e sinceras que me remonta, peça por peça, me dando nova estrutura para poder um dia compreender tudo de cada sofrimento meu.
Ainda, sei que eu não suportaria nenhum calvário no degrau em que me encontro. Minha luta de última hora só serviria para emoldurar o mártir que não sou e que sucumbe às aparências.
- -
Coroa
eu tiro o meu chapéu
pra toda pessoa que se opõe
luto véu de viúva, cabelos alvos
todos estão carecas de saber
que o tempo tira o fio da mente
visto a boina devagarinho
não me interessa se ela é coroa
procuro uma coroa de louro
mas infelizmente
resta a coroa de espinhos
Sei que, apesar de refletir sempre sobre a minha dor, não tenho tido bom proveito disso, e muitas vezes me revoltei contra alguns dos meus mais sólidos ideais... Parece um autoflagelo moral, que em seguida chega a uma anestesia dessa humilhação que tanto tinha a me ensinar e me salvar.
No meio disso tudo, felizmente acontecem coisas simples e sinceras que me remonta, peça por peça, me dando nova estrutura para poder um dia compreender tudo de cada sofrimento meu.
Ainda, sei que eu não suportaria nenhum calvário no degrau em que me encontro. Minha luta de última hora só serviria para emoldurar o mártir que não sou e que sucumbe às aparências.
- -
Coroa
eu tiro o meu chapéu
pra toda pessoa que se opõe
luto véu de viúva, cabelos alvos
todos estão carecas de saber
que o tempo tira o fio da mente
visto a boina devagarinho
não me interessa se ela é coroa
procuro uma coroa de louro
mas infelizmente
resta a coroa de espinhos
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